O gosto pela beleza e a abundância de tempos livres levou-o a decorar esses objectos com arte, amor e paciência. Resistindo à passagem do tempo, continuam a ser desenvolvidas na região actividades tradicionais de manufactura de objectos de utilização quotidiana. Com o recurso às matérias-primas existentes, e através de técnicas ancestrais, o trabalho manual dos artesãos produz trabalhos em cortiça e, mobiliário madeira pintada, cadeiras de madeira e buínho, latoaria e olaria.
A olaria
O Redondo foi, e continua a ser, um importante centro oleiro do Alto Alentejo. Dos romanos, árabes e outros povos que aqui se instalaram e viveram durante largos séculos foi herdando sucessivamente valores culturais e tecnologias que ainda hoje são bem evidentes, quer a nível de terminologia com que são distinguidas certas peças de olaria quer no que respeita à forma e até à decoração das mais tradicionais ou populares. Esta vila foi um alfobre de oleiros, já o foral de D. Manuel I fazia referência à Corporação de Oleiros e seu comércio. Os almocreves (os louceiros) que deambulavam pela província, e com particular assiduidade nos concelhos vizinhos, faziam o seu comércio com burros de largas albardas, porta a porta, “monte” a “monte”. A nossa olaria, toque precioso de arte popular, é reconhecida e apreciada em todo o país. Fabricam-se em redondo duas espécies de pratos pintados: os tradicionais, com fundos claros e motivos diversos, e os de fundo vermelho ou negro, ornamentados com ramos de flores a tinta de óleo. Estes últimos são recentes e destinam-se apenas a fins decorativos, os tradicionais são considerados louça utilitária. Várias são as olarias que ainda subsistem e onde poderá comprar uma recordação.
Olarias de Redondo
Mobiliário de madeira pintadaA par da olaria os móveis pintados à mão são outro dos cartões de visita deste concelho. As peças mais características deste tipo de artesanato são: a cama, escrivaninha, cadeira com assento em buínho, guarda fato, banquinha de cabeceira, caixilho para o espelho e a arca. Uma oficina de mobiliário depende de trabalhadores de vários ofícios. Os móveis são feitos por carpinteiros e depois as cadeiras empalhadas por outro artista. Passa seguidamente para a mão do pintor que os pinta em tinta de esmalte, com fundos brancos, azuis, verdes ou vermelhos e ornamentada com flores e pétalas, tudo unido com laços coloridos. São os artesãos que normalmente preparam as tintas misturando óleo de linhaça e secante com pigmentos.
Meias de Linha de Aldeia da Serra
Na aldeia da Serra ainda existem artesãs que confeccionam bonitas meias bordadas. Estas meias são caracterizadas pelos motivos decorativos minuciosos e pelas suas cores vivas, que parece serem reminiscências de um traje domingueiro das mulheres desta aldeia. As meias são executadas com cinco agulhas.
Cortiça
No artesanato regional pontuam também os trabalhos em cortiça Numa região onde abundam os sobreiros, a cortiça é utilizada para feitura de peças de uso doméstico, as mais comuns são os tarros e os cochos. Profundamente relacionados com o mundo rural pastoril, constituíam um exemplo do aproveitamento dos recursos naturais e do tempo que a pastorícia deixava livre aos pastores para a sua feitura. Merecem especial destaque os tarros, usados outrora na ordenha e transporte do leite de ovinos e caprinos, caídos em desuso pela adopção de novos utensílios. Mas o tarro persiste durante mais tempo, em modelos mais pequenos, para transportar a comida cozinhada do pessoal que trabalhava longe dos montes, especialmente os pastores, certamente devido ás excelentes qualidades de isolador térmico desse material, que mantém a comida quente durante algumas horas. Actualmente são criados com funções mais decorativas, e em muito menor escala.
Latoaria
A produção de artefactos de latoaria, embora em declínio, ainda responde a algumas necessidades da vida rural como é o caso dos funis, aros para o fabrico de queijos, regadores, cântaros paro o vinho, almotolias e enxofradeiras. Outros, destinados à iluminação como as candeias de azeite e petróleo e os lampiões têm hoje mais um interesse etnográfico do que utilitário. Nesta arte utiliza-se o zinco, o cobre, o latão e o inox como matérias-primas. Muitas vezes aproveita-se material de outras peças como caldeiras e cilindros antigos para dar forma a novos arranjos e belas peças que saem das mãos do latoeiro. As ferramentas utilizadas são a bigorna, a máquina de quinar, a prancha, os martelos, o maço, os alicates, o maçarico, o compasso, o esquadro, o raspador, o barão quadrado, as tesouras e as limas. As peças executadas nascem a partir de moldes de papel, que são depois riscados na chapa, e cortam-se conforme pretendido. De seguida, passa-se na máquina de quinar e molda-se a peça, soldando-se as diferentes partes. Quando estas partes são redondas terão que ser feitas na bigorna. Utiliza-se ainda a máquina de passar para fazer os frisos.