16 março 2017

DO COPIOSO TRATO DOS PANOS ATÉ AOS CORANTES NATURAIS

No âmbito das comemorações dos 500 anos dos Forais Novos de Redondo e Montoito...

​No âmbito das comemorações dos 500 anos dos Forais Novos de Redondo e Montoito, e dando continuidade às diferentes iniciativas que se irão perpetuar até Outubro do presente ano, encontra-se patente na Biblioteca Municipal de Redondo a exposição “Do copioso trato dos panos”.

A evocação que se almeja com esta exposição, assenta num despertar singelo, para uma memória de grande importância para este concelho, que naturalmente merecerá outro destaque pela sua riqueza e expressão comunitária ao longo de quase três séculos.

A indústria dos panos conheceu o seu apogeu no início do séc.XVIII, em que a maior parte da população do concelho trabalhava na preparação da lã, nas várias profissões ligadas a esta indústria, nomeadamente: cardadores, tosadores, fiandeiras e tecelões. Foram quase três mil almas, incluindo as diversas povoações vizinhas que beneficiavam desta dinâmica. A tecelagem em Redondo foi de tal forma importante e especial, que durante décadas foram os principais fornecedores do exército português no fardamento.

Tão a propósito desta temática, no dia 11 de Março foi apresentado pelo professor Luís Mendonça de Carvalho, um workshop sobre a história e a química dos corantes obtidos a partir de plantas e de animais e que, tradicionalmente, se utilizam para tingir lã, algodão e seda. Foram analisadas algumas plantas autóctones do Alentejo nomeadamente, o Alecrim (Rosmarinus officinalis L.), o Rosmaninho (Lavandula stoechas), entre outras.

Para além do Alentejo foram também abordadas outras espécies como o Açafrão, o Dragoeiro de onde se retira o Sangue-de-dragão, a Púrpura que por sua vez é extraída de um molusco,  bem como as lacas e as resinas naturais para fixarem as cores aos tecidos.

O professor Luís Mendonça de Carvalho do Museu Botânico de Beja, para além de um apaixonado nestas matérias, detêm um conhecimento aprofundado sobre o tema e partilhou com os presentes toda uma “panóplia” de corantes naturais. Foi mais uma iniciativa que enriqueceu o conhecimento, acrescentando valor a uma memória por vezes um pouco arredada das nossas heranças culturais, tornando mais ricas as vivências de quem nos procura.

Já no próximo dia 25 de Março e integrado nestas iniciativas subordinadas aos Forais Novos irá decorrer o workshop “Da Ovelha à Lã”, com Maria do Carmo Grilo, na Biblioteca Municipal de Redondo, pelas 15h.

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