Olaria Mértola...saiba mais

Situada na Rua do Castelo a meio caminho entre a Porta do Sol e a Porta da Ravessa a Olaria do Mestre João Mértola goza de localização privilegiada e está bem protegida pelas muralhas do castelo de Redondo.

Nascido a 01-12-1929, o Mestre Oleiro, iniciou-se segundo palavras do próprio nestas lides da Olaria Redondense ainda em criança, “em troca de comida e porrada”, palavras ditas em tom de riso, pois os dias eram difíceis na altura e a criança traquina, como a tenra idade lhe permitia. Seu pai também Mestre Oleiro transmitiu-lhe o gosto pela arte e iniciou-o a ele e a um irmão que quis a vida que já tivesse partido, no entanto os dois deram continuidade a esta vocação.

A Olaria onde está hoje a Olaria Mértola, terá as suas origens perdidas no tempo é no entanto conhecida entre vivos desde os inícios do séc. XX. Tendo trabalhado em várias olarias foi aperfeiçoando a sua arte e mestria, pois afinal são precisos vários anos até se conseguir ser mestre e nem todos lá chegam. Aos 19 anos recorda-se de ter tido as suas primeiras botas, que afinal não eram bem suas, mas sim de seu pai que lhas ofereceu para poder ir à inspeção militar. Também foi por volta dessa idade que recebeu a sua primeira semana de trabalho, “ganhei 20$00” muito dinheiro para a altura, trabalhávamos das 6h da manhã às 20h, era de sol a sol. Tive um grande mestre; António Francisco Mestre, casado com Rita da Conceição Baptista, conhecida pelo carinhoso nome de Ti Rita, uma mestra e referência na arte do Riscar e Pintar a loiça de Redondo, com ela aprendeu esta arte também, reproduzindo ainda hoje em dia algumas das suas pinturas.

Mais tarde, foi trabalhar com o Mestre António Pacheco, na atual Olaria, tomando-se seu proprietário “mais ou menos” e segundo informação do próprio desde 1960, instalando-se assim por sua conta. Ainda teve gente a aprender e a trabalhar, mas hoje os tempos são outros e os jovens não querem dificuldades nem passar por metade do que ele passou. Lembra-se que os oleiros andavam descalços, mas isso era uma caraterística própria e assim eram conhecidos em Redondo, pelas roupas e pela falta de sapatos. Ainda tem na Olaria o velhinho forno de lenha que se encontra pegado à muralha do castelo. “O Barro?” …Hoje em dia já não coa, apesar de ter a tina e tudo ali, não tem quem o vá buscar e a idade também já não lho permite, “é um árduo trabalho que ninguém quer fazer”, segundo o Mestre João.

Tem pena que esta arte se possa perder pois os jovens hoje não querem aprender…Talvez um dia … quem sabe…a sorte dite outro destino à Olaria.

Redondo, 29 de fevereiro de 2016


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