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A documentação municipal do século XVII, nomeadamente os livros de vereações, atesta uma intensa atividade comercial através de petições diárias para a venda de géneros alimentares como o pão, o vinho e o azeite. É neste contexto que surge, a 14 de janeiro de 1696, o primeiro registo documental relativo à comercialização de aguardente.
Em setembro de 1770, sob o governo do Marquês de Pombal, foi promulgado um alvará relativo às “agoas ardentes” com o intuito de fixar o preço das pipas (PT/CMRDD/A/002/ Lv011). Este documento serviu como documento preparatório para a criação do Subsídio Literário, imposto sobre o consumo de vinho, aguardente e vinagre, elaborado pelo Marquês de Pombal para fazer face às despesas com a reforma do ensino. Exemplo deste imposto, a imagem anexa que contém o nome dos coletados e o valor a pagar de coleta por vinho e aguardente. Uma vez que no ano indicado de 1817 não foi produzido vinagre. Resumiam-se a sete o número de produtores de aguardente, cujo volume de produção era significativamente inferior ao do setor do vinho.
No início do séc. XX, em resposta a questionário enviado pela Direção Geral dos Serviços Agrícolas (PT/CMRDD/C/A/001/004/Cx039) ficamos a saber que a produção de aguardente no concelho concentrava-se nas zonas de Redondo, Montoito e Adaval. E que o produto agrícola utilizado na produção desta aguardente era o bagaço de uva.
A produção de aguardente centrava-se em duas instalações, aguardente de 20° para consumo público sendo Évora o principal mercado de exportação.
Os jornais locais, respetivamente o Alma Nova e o Serra d’Ossa, entre 1927 a 1929 fazem referência ao Natal, como a festa da família.
Corria o ano de 1929 quando os cooperadores do jornal Alma Nova promoveram um bodo (distribuição de alimentos, roupa) aos pobres no festivo dia de Natal, uma prática de caridade. Curioso, contudo, normal para a época, um dos donativos foram 2 kilos de toucinho!
A Sociedade Harmonia e Progresso Redondense promovia dois bailes, pelo Natal e Ano Bom.
Na noite de 24 realizava-se a tradicional Missa do Galo.
E começavam no dia 24 de dezembro as férias do Natal em todas as escolas do ensino primário.
Os cartões de boas festas começam a surgir na correspondência recebida pela câmara municipal a partir de 1958 e com mais frequência nos anos 80 e 90, caindo depois em declínio.
Eram estas as tradições.
Cota- AMR/NA/010 e AMR/SO/105
Em 1907, Joaquim António Serêto Palôlo fundava a Filarmónica Montoitense que viria a constituir a atual sociedade na vila de Montoito.
Os estatutos foram aprovados em 1929. A sociedade tinha como finalidade “proporcionar aos sócios e suas famílias todas as recreações possíveis tais como: récitas, saraus literários ou musicais, bailes, jogos lícitos, promover excursões, conferências científicas ou educativas (…) terá a sociedade uma biblioteca, uma escola de música e um grupo dramático (Art.3.º, Capítulo I, Estatutos da Sociedade União Montoitense, 1971)
O aniversário da sociedade é festejado no dia 1 de dezembro, data marcada pela primeira atuação (1.º de dezembro 1907) e pela inauguração da sede construída com a dedicação e esforço financeiro dos sócios (1.º de dezembro 1935).
Cota- Fundo: Aliende
Pelo Decreto-lei n.º 35.746 de 12 de julho de 1946 foi no mesmo ano concedida à Câmara Municipal do concelho de Redondo a verba de 50.000$ destinada a fomentar a criação dos serviços de prevenção e extinção de incêndios.
Após três anos (período limite de tempo para restituir o subsídio) a Câmara informou que ainda não havia conseguido a inscrição de um número de indivíduos bastante para constituir o quadro ativo, nem pessoa a quem pudesse entregar o respetivo comando.
Por isso sugeriu a criação de uma associação de bombeiros voluntários e posteriormente seria organizado o corpo ativo.
Em ata de 20 janeiro 1950 o Governo Civil do distrito de Évora informa que deve esta câmara municipal proceder à elaboração dos estatutos da associação dos bombeiros voluntários que pretende constituir para que logo que sejam aprovados se adquirir o material considerado indispensável pela verba em poder deste Município.
Os estatutos são aprovados e acompanhados do respetivo alvará de constituição da mesma associação a 26 de outubro de 1950. Há 75 anos…
Em 1960, instalam-se no edifício cedido gratuitamente e onde permanecem. Espaço onde funcionou a escola primária do sexo masculino. Em 1988, é inaugurado o novo quartel.
Em 1977 tinham duas viaturas de condução de doentes oferecidas por beneméritos da vila.
Cota- PT/CMRDD/B/A/001/Lv071
A vila de Redondo teve as suas armas que se perderam naturalmente como se perderam as de muitas outras terras. Assim sendo, Afonso de Dornelas “autoridade bastante conhecida no país em assuntos de heráldica” apresentou o seu parecer que foi aprovado em 1928.
Figura então uma torre torreada pela referência histórica da torre de vigia que Viriato e Sertório utilizaram situada em S. Gens e, também com referência à fortaleza que D. Dinis “construiu ou reconstruiu”. Figuram abelhas “como representação da riqueza local” pela longa data na fabricação de cera e de mel.
Para obedecer às leis da heráldica foi proposto:
– de azul (representa a lealdade) semeado de abelhas de ouro (representa a fé e o poder) com uma torre torreada de vermelho (representa vitórias, ardis e guerras) sobre um terrado de negro (representa a terra e significa honestidade).
A coroa mural de quatro torres significa a categoria da vila. E assim, há 97 anos foi desenhado o brasão de armas, selo e bandeira do concelho.
Cota- PT/CMRDD/C/A/001/004/Cx080
O Arquivo Municipal de Redondo possui centenas de cartazes referentes a espetáculos e outras formas de expressão cultural com data início em 1935.
Nas décadas de 1940 e 1950 as representações culturais eram sobretudo ao nível de teatros desmontáveis, bailes nas sociedades, na Esplanada Rink e bailes particulares, cinema no Cine-Capitólio e Cines Sonoros Ambulantes, circos e, corridas na Praça de Touros de Redondo.
O primeiro cartaz e simultaneamente a primeira referência a uma festa de aldeia do concelho diz respeito às Festas do Freixo, em honra de Nossa Senhora da Assunção, de 30 e 31 de agosto de 1959.
As festas de verão assinalavam um momento de convívio (banda, arraial, fogo de artifício, espetáculo musical) e em paralelo de religiosidade (procissão, missa cantada, fogaças). Este cartaz tem um aspeto curioso referente ao estabelecimento de práticas religiosas “Recorda-se às senhoras que é proibido entrarem na Igreja com fato sem mangas e sem meias”.
O outro cartaz data de 1960 e refere-se às festas de Montoito em honra de S. Sebastião e Nosso Senhor Jesus dos Passos.
Cota- PT/CMRDD/R/A/001/Cx002
As casas do povo foram criadas pelo Decreto-Lei n.º 23051, de 22 de setembro de 1933.
A Casa do Povo de Redondo foi fundada no dia 18 de maio de 1934, tendo-se dado a fusão com a Associação de Socorros Mútuos de Nossa Senhora de Ao Pé da Cruz em 2 de julho de 1941.
De salientar a sua ação de relevo no campo da assistência sobretudo médica e medicamentosa. No campo da cultura popular salientar o seu rancho folclórico: o das Cantarinhas de Barro, o adulto e infantil, fundado a 31 de outubro de 1981.
“É composto por um Rancho adulto, formado por 10 pares e um Rancho infantil o qual conta com a participação de 8 pares. Na parte do acompanhamento musical, existem 2 acordeons, um bombo, ferrinhos e castanholas, os quais são instrumentos que normalmente acompanham as músicas da nossa região e das quais destacamos as saias. (…) As vozes são femininas. (…) O primeiro par representa os ceifeiros, apresentando-se, ela com uma saia das calças e respectiva foice e ele com um par de ceifões, com que se protegia no atar dos molhos de trigo (Memorando, 1984).
Integrado nas comemorações do “Dia da Casa do Povo” vai o Rancho Folclórico levar a efeito o seu I Festival de Folclore em 1983.
Cota- PT/AMR/ASMNSPC/E/003
As eleições de 25 de abril de 1975 foram as primeiras eleições livres em Portugal – ato eleitoral para a Assembleia Constituinte. Também pela primeira vez as mulheres tiveram o direito de voto universal.
Em janeiro de 1975 estavam inscritos 6430 eleitores no concelho, 4800 na freguesia de Redondo e 1630 na freguesia de Montoito.
Funcionaram treze seções de voto. Sete seções de voto a funcionar na vila de Redondo distribuídas pelos edifícios da Escola Morais e da Casa do Povo, uma na Aldeia da Serra, outra no Freixo e outra em Santa Susana. E três na freguesia de Montoito, duas a funcionar na Casa do Povo de Montoito e a outra a no edifício da escola primária das Aldeias de Montoito.
“Os eleitores votarão pela ordem de chegada à assembleia de voto, dispondo-se para o efeito em fila.” (Artigo 90º, Decreto-Lei n.º 621-C/74 de 15 de Novembro).
Em resposta a questionário sobre “Análise do processo eleitoral” não houve dificuldades no recenseamento. A campanha eleitoral correu bem e não houve perturbações da ordem pública. Os partidos concorrentes no círculo leitoral que designaram delegados: PS, PCP e PPD.
Foi assim a 1.ª votação livre no concelho há 50 anos.
Cota- PT/CMRDD/G/001/Cx025
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