Fragmentos da História Local: As fardas dos soldados
Atualizado em 24/04/2026Em 1811 Redondo afirmava-se como um dos principais centros têxteis do Alentejo. Graças à abundância de lã e ao talento dos seus artesãos, a vila especializou-se no fabrico de panos, tornando esta indústria o verdadeiro motor da economia local. Não existia propriamente uma fábrica, mas inúmeras oficinas domésticas a trabalharem no processo da lã.
A 26 de outubro de 1816 uma Provisão da Real Junta dos Arsenais, Sua Majestade determinava que se baixasse o preço das saragoças a fim de se fardarem os soldados dos Batalhões de Caçadores do Exército. Em maio do ano seguinte procedeu-se à eleição do condutor dos panos para o Arsenal Real do Exército.
Na Porta da Ravessa, ainda hoje se podem ver as marcas incisas na pedra: a Vara e o Côvado. Eram as medidas padrão da Idade Média. Também os panos seriam medidos nestes padrões oficiais.
O declínio da indústria têxtil acentuou-se em meados do século XIX, quando a mecanização das fábricas na Covilhã e em Portalegre começou a dominar o mercado. Este declínio já havia sido antecipado em 1816 por Luísa Joaquina dos Ramos; numa petição para a instalação de novas prensas, a qual destacava a enorme procura dos panos locais, que eram distribuídos por todo o reino, com forte presença em Lisboa, na Beira e em feiras de renome como a da Golegã, do Campo Grande e de São João, em Évora.

