Fragmentos da História Local: A crise do custo de vida na década de 1920: Alimentos e combustíveis
Atualizado em 24/09/2026Há 100 anos, Portugal enfrentou uma grave crise económica e de abastecimento deixada pela I Guerra Mundial. Foram necessárias medidas urgentes contra o encarecimento da vida (Edital, Comissariado Geral dos Abastecimentos, Ministério da Agricultura, 24 fevereiro de 1923).
Em 1923, no concelho do Redondo, o território era autossuficiente em carnes (consumindo essencialmente ovino, caprino e suíno), exportava produtos como vinho, azeite, cortiça, mel, cera, lã e cevada, mas dependia da importação de batata e feijão.
As principais produções agrícolas da época centravam-se no vinho, no azeite e em alguns cereais. Contudo, a instabilidade meteorológica provocava frequentemente más colheitas. Para monitorizar a situação, o Boletim de Informação Estatística e Agrícola registava diariamente os fenómenos meteorológicos e os preços dos produtos agrícolas, gados, caça e forragens.
Nos distritos de Évora, Beja, Portalegre e Santarém, a circulação de palha, aveia e fava passou a ser proibida sem guias emitidas pelo Comissariado, exceto se os géneros fossem destinados à Manutenção Militar. Foram publicados editais a proibir estritamente a saída de azeite e azeitona para fora dos limites de determinados concelhos enquanto o abastecimento local não estivesse totalmente assegurado.
Na década de 1920, o carvão era o combustível central que movia a indústria fabril, o transporte ferroviário e o transporte marítimo. Perante a escassez e a inflação, o controlo sobre os comerciantes de carvão, os “puxadores” tornou-se fulcral para manter a atividade económica mínima do país.

